Parque Natural de Montesinho

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Localiza-se na Terra Fria transmontana, Trás-os-Montes, Portugal
 
O Parque Natural de Montesinho estende-se no território norte dos concelhos de Vinhais e de Bragança, e caracteriza-se por uma elevada diversidade morfológica, geológica e climática que se reflete na adaptação das espécies animais e vegetais ao meio físico e na paisagem, e por isso é uma área protegida situada no Nordeste Transmontano Portugal.

O Parque tem uma dimensão de cerca de 75 mil hectares, foi reconhecido em 1979 como Parque Natural, e tem atualmente 9.000 habitantes, 92 aldeias, e localizado na Terra Fria transmontana as temperaturas variam entre os 12º C e 40º C.

Apresenta um relevo heterogêneo com planaltos ondulados cortados por profundos vales encaixados por algumas serras, das quais as duas mais importantes são a “Serra de Montesinho” a norte de Bragança, e a “Serra da Coroa” a norte de Vinhais.

Na Serra de Montesinho as altitudes variam entre os 1486 metros e no rio Mente os 438 metros no leito.

O Parque apresenta uma extensa biodiversidade habitando espécies como o lobo-ibérico, a corça ou o veado, situado na terra fria transmontana, os xistos são as rochas dominantes, mas podem ainda ser encontrados granitos, rochas ultrabásicas e pequenas manchas calcárias.

O Parque Natural de Montesinho caracteriza-se pela sobriedade da paisagem pautada por relevos suaves com cabeços arredondados separados por vales de rios encaixados onde domina o xisto, mas há manchas de calcários em áreas planálticas e granito na serra de Montesinho.

Na vegetação destaque para os carvalhais, soutos e castinçais (cuja castanha serve de símbolo ao parque), uma extensa cobertura de matos de giestas, urzes e estevas que dão cor à paisagem, a vegetação ribeirinha, os prados naturais (lameiros) e as culturas de sequeiro da ribeira da Anta.

Na Terra Fria Transmontana o parque possui uma variada avifauna (mais de 120 espécies de aves nidificantes), incluindo a presença de 70% das espécies animais terrestres que ocorrem em Portugal com destaque para uma das mais importantes populações de lobo-ibérico.

O sabor da ruralidade está bem patente pela presença de fornos e fráguas do povo, moinhos, lagares comunitários, pombais, e repositório de velhas tradições ainda hoje expressas em diferentes momentos festivos.

Na Primavera observe a floração das plantas e a multiplicação das cores, e a avifauna que podem trazer experiências inesquecíveis.

No Verão perca-se nas ruelas das aldeias transmontanas e conheça o viver das suas populações, aprecie os contrastes geológicos desta região, e mergulhe nas águas frias dos rios truteiros e deambule pelas galerias ripícolas (das margens dos rios).

No Outono aprecie as cores outonais dos soutos de castanheiros e dos carvalhais, a castanheira de Lagarelhos que necessita de 12 braços abertos para a abraça, vale bem a pena que reúna os seus amigos para ver se a conseguem rodear.

Na paisagem surge o castro corisco, e de vez em quando umas estranhas construções circulares que são os pombais.

No Inverno reparem nos prados naturais, lameiros que através dum método de irrigação secular se mantêm verdes todo o ano e não gelam nesta época, e sente-se à mesa e saboreie os enchidos ou o saboroso mel de Montesinho.

Os visitantes podem montar a cavalo no Centro Hípico de França e fazer interessantes passeios equestres.

O Parque Natural de Montesinho conflui a norte com a Espanha, percorrendo a fronteira com as comunidades da Galiza e de Castela-Leão, e a oeste e a este também com a Espanha (Galiza e Castela-Leão, respectivamente).

No oeste faz por breve trecho a fronteira com o concelho de Chaves sendo que a sul continua inserido nos concelhos de Vinhais e de Bragança.

Na parte brigantina existem os rios Sabor, Maçãs e Baceiro, e o sabor nasce na fronteira com a Espanha, nos cumes da Serra de Montesinho passando a pouca distância de Bragança.

O Maçãs nasce na Espanha, e faz a fronteira internacional em dois trechos distintos constituindo ainda a fronteira mais a leste e mais a sul do do Parque.

O Baceiro nasce também em Espanha sendo o mais pequeno dos rios principais do Parque e no seu percurso existe um importante viveiro de trutas junto à Ponte de Castrelos.

Na área vinhaense existem os rios Mente, Rabaçal e Tuela, e todos três nascem na Espanha, sendo os dois primeiros oriundos da Galiza e o último de Castela-Leão.

O Mente faz em parte do seu percurso a fronteira internacional constituindo a fronteira oeste do Parque e nele se encontram as águas termais de Sendim/Segirei partilhadas pelos concelhos de Vinhais e Chaves.

O Rabaçal é um dos dois rios (o outro é o Tuela) que formam o rio Tua a montante de Mirandela.

O Parque oferece o lazer de uma praia fluvial junto à ponte da estrada Sobreiró de Cima (uma das entradas da Rota da Terra Fria) chamada Zona de Lomba.

A série de montanhas entre os rios Mente e Rabaçal que deram forma ao termo Terras de Lomba pelo seu perfil contínuo ondulado entre os dois vales.

Estes dois rios correm muito próximos a norte, e afastam-se progressivamente à medida que caminham para sul, mas aproximam-se novamente e acabam por confluir formando uma península ou lomba.

A região fruto do seu isolamento chegou a ser concelho por vários séculos, mas já o Tuela que passa a pouca distância de Vinhais oferece como atrativo duas praias de grande procura sendo uma delas encostada à fronteira do Parque na Ponte de Soeira (EN103).

Os rios, de vales profundos e águas ora cristalinas ora negras com propriedades termais ou simplesmente refrescantes para o calor tórrido do Verão da região serpenteiam vales tão depressa inóspitos como verdejantes e cheios de vida tanto animal como vegetal.

Os ancestrais moinhos, na maior parte ainda utilizados pela população, e atravessados por milenares pontes romanas constituem atractivo para a prática da pesca como trutas, bogas, barbos e escalos.

No Parque Natural de Montesinho existe uma grande diversidade de fauna e flora como os urzais, estevais e giestais vulgarmente apelidados de matos ocupam amplos territórios de solos abandonados pela agricultura, orlas de bosques ou terrenos outrora ocupados por um bosque autóctone.

Os matos, e particularmente os que ocorrem a maiores altitudes são biótopos de extrema importância para diversas espécies da fauna selvagem.

Os lameiros também designados por prados ou pastagens de montanha encontram-se associados a grande parte das zonas ribeirinhas que percorrem o Parque Natural de Montesinho.

Os soutos de castanheiros representam a maioria dos terrenos agrícolas que se encontram ocupados com culturas perenes, ocupam vastos territórios da região e a sua importância é tal que se torna difícil imaginar a vida nestas paragens sem a existência destas frondosas árvores.

Os bosques de azinheira, conhecidos por sardoais ocorrem nas áreas menos elevadas, ao longo de encostas declivosas e soalheiras, e os bosques de carvalho-negral são um dos principais tipos de vegetação arbórea autóctone que ocorre no Parque fazendo parte de um contínuo que se prolonga para sul até à serra da Nogueira.

A fauna terrestre portuguesa está aqui representada contando-se cerca de duzentas e cinquenta espécies de vertebrados, e uma elevada riqueza e diversidade também de invertebrados.

Neste espaço destaca-se a presença do lobo-ibérico, do veado, da toupeira-de-água, do gato-bravo, do morcego-de-ferradura-grande e do rato-dos-lameiros, mas também há cerca de 160 espécies de aves incluindo a águia-real e a cegonha-preta.