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Forte de S. Filipe

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Todas as fotografias / imagens são fornecidas apenas para orientação.
Localiza-se no Parque Natural da Arrábida encontra-se sobre um outeiro fronteiro à cidade litorânea de Setúbal dominando a margem esquerda da foz do rio Sado e o oceano Atlântico, Centro de Portugal
 
O projecto de uma fortificação moderna para defesa do litoral português remonta ao século XIV, com a construção do Forte de Santiago do Outão destinado ao controlo da entrada da barra do rio e acesso ao burgo medieval.

No reinado de D. João III (1521-1557) dificuldades financeiras que levaram ao abandono das posições ultramarinas no Norte de África (Praça-forte de Azamor, Praça-forte de Arzila, Praça-forte de Alcácer-Ceguer e Praça-forte de Safim) atrasaram o desenvolvimento desses trabalhos.

Na dinastia Filipina o próprio soberano D. Filipe I (1580-1598) assistiu em pessoa em 1582 ao lançamento da pedra fundamental da nova fortificação com traça do arquiteto e engenheiro militar italiano Filippo Terzi (1520-1597).

O engenheiro teria trabalhado nessas obras até meados de 1594 quando assinou uma planta e corte da fortificação (8 de Julho de 1594) remetida ao Conselho de Guerra espanhol mas com o seu falecimento foi designado o engenheiro militar e arquitecto cremonese Leonardo Torriani que as teria dado como concluídas em 1600.

Na Restauração da Independência sob o reinado de D. João IV (1640-1656), o Governador das Armas de Setúbal, João de Saldanha executou a ampliação desta defesa pela adição de uma bateria baixa, entre 1649 e 1655.

No século XVIII a Capela em seu interior adquiriu o seu revestimento de azulejos assinados por Policarpo de Oliveira Bernardes (1736) e durante o consulado pombalino (1750-1777) não teria ficado imune ao terramoto de 1755 e foi utilizada como Escola de Artilheiros.

No século XX a partir da década de 1940 a ser objecto de intervenções de conservação e restauro a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais sofreu novos danos causados pelo sismo de 1969 tendo a recuperação sido concluída no ano seguinte.

A Câmara de Setúbal assumiu a gestão da fortificação com a reabertura do bar e da esplanada, mantendo-se a interdição ao público de algumas zonas de risco (31 de março de 2017), atribuída durante largos anos a Filipe Terzi.

Atualmente sabe-se que foi desenhada pelo Capitão Fratino em 1583, sendo composta de uma planta irregular poligonal em estrela de seis pontas com seis baluartes e em acentuado declive sobre o mar sendo protegida pelo lado Norte por uma segunda linha amuralhada.

No interior, acessado por um Portão de Armas a Oeste das muralhas defendido por dois baluartes e um átrio dá acesso a um túnel de alvenaria de pedra com uma larga e suave escadaria com degraus em dois lances.

O túnel é coberto por uma abóbada e o patamar entre os seus lances dá acesso às casamatas, no terrapleno encontram-se os edifícios de serviço: a Casa de Comando (antiga residência do Governador das Armas) e a Capela à esquerda.

A pequena Capela de São Filipe orago do forte apresenta planta rectangular coberta por abóbada de berço, o seu portal exibe um frontão ornado com volutas e uma torre sineira entre pilastras.

O seu interior é completamente revestido por azulejos nas cores azul e branca onde se destacam painéis com cenas da vida daquele santo católico assinados por Policarpo de Oliveira Bernardes (1736).

A bateria baixa, estrutura datada do século XVII, constitui-se num baluarte com o formato trapezoidal que se estende em direção ao mar.