Fábrica de Faianças

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Localiza-se na cidade e concelho das Caldas da Rainha, distrito de Leiria, Centro de Portugal
 
A fábrica nasceu de um projeto de Rafael Bordalo Pinheiro com o apoio de seu amigo Ramalho Ortigão, da sua irmã Maria Augusta e de seu irmão Feliciano Bordalo Pinheiro

O terreno possuía 80 000 metros quadrados com duas nascentes de água e dois barreiros essenciais para o fabrico de telhas, tijolos e louça artística.

A escritura de constituição da fábrica como sociedade anónima de responsabilidade limitada, foi assinada a 30 de Junho de 1884.

A direção foi entregue pelos acionistas fundadores a dois diretores, Rafael (responsável pelos aspectos técnico-artísticos) e seu irmão Feliciano Bordalo Pinheiro (responsável pelos aspectos organizativos).

Rafael de imediato se encarregou da concepção arquitectónica das instalações onde foi erguido um pavilhão de dois andares com dois corpos laterais de pavimentos térreos destinados a aulas e depósito de louça, envolvido por um parque ajardinado e arborizado, um grande edifício de um só pavimento onde estavam instaladas as máquinas e as oficinas e três fornos e um grande pavilhão para venda e armazenamento dos produtos acabados.

O edifício composto de corpo central elevado, com telhado de inspiração oriental, dois corpos laterais de piso térreo, foi projetado por Rafael Bordalo Pinheiro e construído com materiais produzidos na Fábrica datando de 1885 a área do Pavilhão e parque.

O projeto arquitetônico e a decoração de fachada eram originais pela forma, policromia e texturas empregues dotado de azulejo, ornatos cerâmicos e painéis figurativos, no corpo central destacam-se dois grandes painéis de faiança com malvaíscos cor-de-rosa em moldura circular e uma serpente envolta no monograma da Fábrica.

O objetivo social da empresa era o de explorar a indústria cerâmica no ramo das faianças propunha-se a lançar no mercado de produtos de cerâmica ornamental e de revestimento, e louça do tipo que se cultivava nas Caldas: objectos da mais fina faiança estampados com gravuras originais para usos diário e louça ordinária para o uso das classes menos abastadas.

A produção da fábrica englobava assim a azulejaria e materiais de construção de cerâmica utilitária e peças decorativas onde a "Art nouveau" se manifesta com a criação de uma galeria de personagens característicos da sociedade portuguesa do final do século XIX.

Os seus produtos foram apresentados em diversas exposições nas salas do Comércio de Portugal (1886), no Ateneu Comercial do Porto e na Exposição Industrial de Lisboa (1888), na Exposição Universal de 1889, Antuérpia (1894) e Espanha (1895) e nos Estados Unidos da América (1905).

A produção de cerâmica artística conheceu três etapas nesse período:1.ª fase (1885-1889), 2.ª fase (1889-1899) e 3.ª fase (1899-1905).

Anos mais tarde o filho de Bordalo Pinheiro, Manuel Gustavo, prosseguindo o trabalho do pai, em 1908 fundou a Fábrica de San Rafael, cuja direção assumiu.

A fábrica ainda em funcionamento juntamente com o Museu de José Malhoa e o Museu de Cerâmica são referências ainda hoje na cidade das Caldas da Rainha.