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Beira Mar

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Todas as fotografias / imagens são fornecidas apenas para orientação.
Localizada na freguesia de Glória e Vera Cruz, concelho de Aveiro, centro de Portugal
 
A Beira Mar chamado originalmente "Vila Nova" por se localizar fora das muralhas medievais que cercavam Aveiro, a sul do Canal Central, este bairro é delimitado a sul por este canal, a oeste pelo Canal das Pirâmides, a norte pelo Canal de São Roque e a este pelas ruas de José Estevão e de Manuel Luiz Nogueira.

Os residentes deste bairro são tradicionalmente apelidados de cagaréus, enquanto que os residentes a sul do Canal Central são apelidados de ceboleiros, esta divisão formalizada tradicionalmente pela muralha originou igualmente algumas rivalidades entre os habitantes destas zonas.

A Beira Mar trata-se de uma das principais zonas turísticas da cidade englobando importantes pontos turísticos como o Jardim do Rossio ou a Praça do Peixe.

A Capela de São Gonçalinho localizada no centro do bairro é palco das principais e tradicionais festividades da cidade, as Festas em Honra de São Gonçalinho, alguns dos melhores exemplos de Arte Nova da região como a Casa do Major Pessoa (atual Museu de Arte Nova).

A “Ponte do Laço” (o nome advém do facto de a sua forma se assemelhar a um laço ou ao símbolo do infinito), junto a um dos principais canais urbanos da ria, o canal de São Roque uma das imagens de marca do bairro da Beira Mar e que chegou a ser um espaço de construção naval importante na época dos Descobrimentos.

No canal de São Roque encontra-se uma das pontes mais emblemáticas de Aveiro e m forma de arco, decorada com balaústres e com o brasão da cidade, a Ponte dos Carcavelos é uma das mais antigas de Aveiro foi construída em 1953 a origem do seu nome tem assentado em duas teses completamente distintas: há quem diga que a designação se deve ao facto de a ponte ter a forma da ferramenta usada pelos construtores navais, outros contam que na margem norte da ponte se encontrava uma salina com este nome.

No início da Rua Antónia Rodrigues é apresentada uma figura ímpar aveirense conhecida como “Antónia de Aveiro” e diz a placa toponímica que “a célebre Antónia de Aveiro fugindo de casa aos 15 anos, foi vestida de homem,combater gloriosamente os mouros em Mazagão onde obrou prodígios de valor, conservando durante anos com a sua virtude, o segredo do seu sexo”.

Antónia Rodrigues (nascida em 1580) foi, durante grande parte da sua vida, António Rodrigues e só deixou de o ser quando quiseram que ele(a) se casasse com a filha de um fidalgo e aí foi obrigada a revelar que era mulher antes de conduzir o grupo, por entre ruas estreitas, ladeadas de casas forradas a azulejo até à Capela de São Bartolomeu, pequeno local de culto (datado de 1568) que só abre ao público uma vez por ano (24 de Agosto, dia consagrado àquele santo) e onde “mora” a explicação para Aveiro ser tão dada a ventos fortes.

Os mais antigos dizem que quando há muito vento é porque a porta da Capela de São Bartolomeu está aberta, uma vez que há a figura de um diabo acorrentado ao santo que era um dos 12 discípulos de Jesus tinha, segundo a lenda poderes exorcistas uma espécie de cooperação com o diabo, e é muito estimado pelos habitantes deste bairro.

Alguns dos rituais que as gentes da Beira Mar continuam a cumprir com preceito, para os crentes fica apenas um exemplo: quando alguém é roubado deve ir à meia-noite bater à porta da capelinha e dizer três vezes “São Bartolomeu, desprende o teu moço, que faça guerra aquilo que é meu” e deixar uma moeda preta por baixo da porta.

Neste passeio pelo pitoresco bairro da Beira Mar os visitantes são ainda conduzidos a um outro local de culto de referência da cidade: a Capela de São Gonçalinho, o padroeiro do bairro e que anualmente no início de Janeiro serve de pretexto para uma festa muito singular.

No alto da capela em forma hexagonal (e que terá sido construída em 1714), atiram-se milhares de cavacas (um pão doce muito rijo) que são apanhadas pelos populares que se amontoam no largo, um ritual que, segundo os locais serve para pagar as promessas ao “santo” na realidade é beato (mas não ouse chamar-lhe isso junto das gentes do bairro) que os aveirenses tratam como sendo o seu “menino”.

São Gonçalo de Amarante não nasceu aqui e também não existem evidências de que tenha passado por Aveiro, mas muitos aveirenses querem acreditar que sim, assumindo que ele visitava as ilhas onde se encontravam os doentes isolados e lhes lançava pão para que não passassem fome.

São Gonçalo é acarinhado de forma muito especial por estas bandas e as tradicionais festividades aí estão para o comprovar como o ritual do lançamento das cavacas, o caso da “Dança dos Mancos” que decorre noite dentro no interior da capela no maior dos segredos.

O visitante também pode ver a Casa Major Pessoa instalado num edifício que alberga o Museu Arte Nova da cidade que foi mandado construir em 1904 por um burguês brasileiro de nome Mário Pessoa.

No Rossio é possível assistir ao vaivém de moliceiros ao longo do canal central da ria e à azáfama de turistas que chegam e partem, e também pode visitar a Igreja de Santo António, o Parque da Cidade e o bairro do Alboi.