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Igreja de Santa Maria

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Localiza-se na Praça de Santa Maria, Vila de Óbidos, Distrito de Leiria, Centro de Portugal
 
A Igreja de Santa Maria ou Igreja Matriz de Óbidos (fundada entre 1148 e 1185) é a principal igreja da vila de Óbidos dada a sua importância patrimonial e está classificada como Imóvel de Interesse Público.

Segundo a tradição, a origem desta igreja remonta ao período visigótico, tendo sido convertida em mesquita durante o período muçulmano e convertida ao cristianismo após D. Afonso Henriques ter conquistado a vila em 1148, consagrando-a à Devoção Mariana.

A partir de 1210, a vila de Óbidos passou a fazer parte da Casa das Rainhas beneficiando do mecenato artístico e religioso da Coroa pelos próximos seiscentos anos, e as várias modificações na Igreja de Santa Maria testemunham o fato.

O templo que hoje se situa no Largo de Santa Maria, ao fundo da rua principal da Rua Direita, data do século XVI e foi construído por iniciativa da Rainha D. Leonor, esposa de D. João II.

Nesta igreja o infante D. Afonso posteriormente Rei D. Afonso V de Portugal casou-se com a prima D. Isabel com a idade de oito anos. (15 de agosto de 1441).

O templo medieval foi reedificado a partir de finais do século XV, prolongando-se as obras pelo primeiro quartel do século XVI.

As edificações desse período que sobrevivem no presente são a torre sineira e a capela de Nossa Senhora da Piedade com o túmulo que acolhe os restos mortais de D. João de Noronha e de D. Isabel de Sousa, da autoria de Nicolau Chanterene (c. 1526-1528).

A 15 de Agosto de 1571 (dia da Assunção de Nossa Senhora), foi iniciada a sua completa reconstrução, com procissão e grande aparato religioso, prosseguindo as obras sob a proteção da Rainha D. Catarina e do Prior D. Rodrigo Sanches, esmoler-mor da Rainha e figura de grande prestígio na corte de Carlos V.

A partir de 1571, dado o seu estado de ruína, foi totalmente restaurado por ordem da Rainha D. Catarina da Áustria até à sua configuração actual com provável risco do arquitecto António Rodrigues.

Um século depois sofreu novas obras de beneficiação por iniciativa do Prior Doutor Francisco de Azevedo Caminha que decora a igreja através de um programa artístico de gosto barroco (teto, azulejos e telas das naves).

O edifício foi construído ao longo de vários séculos, refletindo as características estilísticas dos períodos sucessivos apresentando elementos manuelinos, renascentistas, maneiristas e barrocos.

A estrutura da igreja revela afinidades com templos mendicantes, apresenta planta longitudinal, com 3 naves (sendo a central mais elevada) separadas por quatro tramos de arcos assentes em colunas dóricas.

O teto de madeira está decorado com pinturas de ornatos do séc. XVII, portal axial renascentista em arco de triunfo, com dois pares de colunas clássicas sustentando um frontão onde se localiza um nicho que acolhe uma escultura do orago, torre sineira prismática coberta por cúpula piramidal (vestígio da campanha de obras manuelina).

À entrada, no portal maneirista encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Assunção, padroeira da freguesia.

No altar merece ser admirado o túmulo renascentista de D. João de Noronha ("O Rapaz"), capitão de Óbidos no século XVI, uma obra-prima das esculturas de tumbas renascentistas atribuída ao francês Nicolau Chanterenne.

O visitante pode observar pinturas de Baltazar Gomes Figueira e da célebre Josefa de Óbidos (1634-1684), que combinavam o profano e o sagrado em ambientes de suave sensualidade e misticismo no retábulo de 1611, que representa o Casamento Místico de Santa Catarina, em exposição na sacristia.

A obra deste notável pintor (e do acervo da igreja) encontra-se preservada em museus nomeadamente em Óbidos.

A capela colateral de Nossa Senhora da Piedade apresenta um notável túmulo da autoria de João de Ruão (conjunto) e Nicolau Chanterene (Deposição no Túmulo, segundo atribuição de alguns autores, Assunção da Virgem).

O conjunto escultórico obedece aos cânones e à temática ornamental do renascimento, integrando-se no centro de produção coimbrã, é encimado por um baixo-relevo com a Assunção da Virgem e apresenta uma Deposição no Túmulo em que as figuras de Cristo, da Virgem, de S. João Evangelista e de Santa Maria Madalena, talhadas em pedra de Ançã revelam nos panejamentos e na primorosa plasticidade das faces e mãos, o génio de um artista excepcional.

A dinamização das superfícies parietais interiores é conseguida pela decoração barroca de revestimentos azulejares, pinturas e talha dourada.

No retábulo do altar-mor em talha, colunas coríntias enquadram oito telas da autoria do pintor obidense João da Costa com passos da vida de Nossa Senhora: Anunciação, Adoração dos pastores, Adoração dos Magos, Apresentação no templo, Os Apóstolos em torno do Sepulcro da Virgem e um conjunto de três imagens na zona superior representa a Assunção da Virgem.

No retábulo do altar colateral (lado da Epístola) localizam-se cinco pinturas de Josefa de Óbidos alusivas a Santa Catarina (c. 1661): Santa Catarina a discutir com os Doutores e a destruição da roda do martírio, as telas superiores: Santa Teresa, S. Francisco de Assis e O casamento místico de Santa Catarina.

As duas pinturas localizadas no topo de cada nave lateral são também atribuídas a Josefa de Óbidos (O Batismo de Cristo; A Ascensão) e por último assinale-se a riqueza do revestimento azulejar dos séculos XVII e XVIII.